segunda-feira, 5 de abril de 2010

"A ordem é pra liberá geral"

Ah, porque se o Link diz que é um gato, então a gente acred... Epa! O Link "diz"?! Você, seu farsante! Você não é Link coisíssima nenhuma! Você não pode me enganar, Ganondorf!


Vem aí Iron Man 2?! Nossa, cara, eu sou fã de Iron Man! Tem previsão de lançamento? Não? Só disseram que vai sair ainda este ano? Ta certo. Vai ser 3D?! Sério?! Noss... hein? "Por que essa pergunta?", como assim? "Que nem o último"? Mas o último não foi 3D... Como assim, foi?! Eu assisti o bagulho... Ãh? Não é o de assistir? É o de... jogar? Aff... E você perde meu tempo pra me avisar isso? Hein? Claro que eu sou o Pepito! Foi você que ligou pra minha casa, você devia saber com quem está falando!... Ahãm, claro que eu gosto de games. E daí?... Ahãããm... E daí que Iron Man 2 é game? E eu sou obrigado a gostar de qualquer tralha que tentam me socar goela abaixo só porque apelidaram isso de game?... Como assim, "não é tralha"? Ah, você está falando de Iron Man? É, Iron Man é demais, mas game do Iron Man é tralha... Que? Ora, e daí que ainda nem saiu? Eu não preciso jogar o troço pra saber que vai ser ruim... Não, meu, eu num tô rogando praga. Só estou constatando a verdade. Jogo feito a partir de filme carrega sina de ser ruim. Foi assim com mais do que dá pra falar sem torrar seu precioso dinheirinho com contas de telefone no final do mês... Hein? Ah, você acha que eu estou só fugindo do assunto? Beleza, então. Presta atenção:

Você que curte HQs, Spider Man é um dos poucos que se salvam nos games. Claro, tem uns bons, tipo o Friend or Foe (eu acho bom, pelo menos. Há quem discorde) e o Ultimate Spider Man, mas lembre-se que esses não são games feitos a partir de filmes. Os jogos do Aranha feitos de filmes, o 1, o 2 e o 3 estão surpreendentemente acima da média de jogos a partir de filmes. Até divertem.
O mesmo com o Hulk, que, coitado, só tem um game baseado em filme que merece citação real: The Incredible Hulk (nome criativo...), pra PS2. Mas como o Hulk também só teve um filme nos tempos recentes, dá pra dizer que é o que se saiu melhor. O seu (e o meu) amado Homem de Ferro só saiu num game mixuruco, muito do vagabundo mesmo, onde o que mais divertia era voar e ouvir a música tema de Iron Man. Porque atirar fogo quadrado de polígonos toscos, socar inimigos que parecem fazer parte do cenário de tão imóveis e sem reação que são e destruir obstáculos porcos com dezenas de ataques, todos praticamente iguais, não está à altura nem sequer do mais baixo vôo rasante da lendária armadura vermelha e amarela.
Os jogos do Super-Man nem se fala, e os do Batman só são realmente divertidos na forma Lego. O jogo do filme até que é interessante, mas sem dificuldade e, após um tempo, repetitivo. Nem se compara o Cavaleiro das Sombras na tela do cinema e na da sua casa (é, eu quero dizer como game, não como esses DVDs piratas que tomam espaço de coisas mais úteis e legalizadas).
Dos games feitos de filme dos X-Men, pobres deles, só servem mesmo é para alimentar a ira de mano Wolver. Pelo amor de Deus, nem o Professor Xavier com o auxílio do Cérebro conseguiria apagar a minha ângústia para com todos os títulos a partir de filme da série. Wolverine's Revenge é uma até que grata mostra de que nem tudo está perdido - mas como não é uma adaptação dos cinemas...
Ah, e o Quarteto Fantástico, bem... ah... Ah, então, e o Motoqueiro Fantasma... bom, até que quebra o galho... se você não puder comprar God of War, isso é, porque o game do Phantom Rider só se salva nas lutas com os movimentos acrobáticos com a corrente, o que Kratos faz duas vezes melhor, com direito a outras armas (certo, ele não tem uma 12, e sim, não se pilota motos em GoW, mas as fases de motos bem que só serviam de filler... Enfim).


Kity e Protagonista Malandro Anos 70 Cujo Nome Eu Esqueci vieram provar que filmes podem sim virar jogos (bons)!
Mas, sabe... o GPS do carro quebrou, e... a suspensão precisava ser trocada, então... Fica pra próxima, cowboy.




Cansou de me ouvir aniquilando suas HQs amadas? Eu também cansei de ver as produtoras de games fazendo trabalhos porcos com as MINHAS HQs amadas. Vamos mudar de exemplos, então? Que tal as adaptações do filme Coraline... tá bom, vamos parar com exemplos desse naipe. Algo melhor, estilo Van Helsing. É, não deixa de ser um jogo legal, apesar de fazer um péssimo trabalho em explicar a história e se deter em combates que logo se tornam repetitivos.
Que tal meramente todos os filmes de Steven Spielberg? Alguém duvida da direção cinematográfica dele? E, no entanto, o game que tem a ver com ele que mais me divertiu foi Boom Blox, que nada tem a ver com qualquer filme (Steven que projetou o jogo). Que tal os Indiana Jones? Curiosamente, as versões Lego ficaram demais. Assim como Star Wars. No caso de Indiana, também de Spielberg, os outros jogos da série são, com muita boa vontade, passáveis se tanto.
Star Wars é um exemplo raro de filme que converteu bem para os games, mas volto a dizer: tirando as versões Lego, os games da série totalmente baseados nos 6 filmes (aqueles que levam o nome do filme no título) foram alguns dos mais fracos. Há, contudo, tantos games de Star Wars que mesmo assim não chega a ser muito um problema: Star Wars Phantom Menace para PC é até divertido, mas não cata Star wars Battle for Naboo, uma releitura do episódio, e Racer, baseado apenas na sequência de corrida do mesmo filme. Star Wars Clone Wars tem 300, mas nenhum que se aproxime de Knights of the Old Republic, lançado mais ou menos na mesma época.
E Star Wars Revenge of the Sith nem sonha em se equiparar a... bom... a quase nada, para dizermos a verdade. Isso para não apelar para as conversões de filmes mais antigas, que eram aquela beleza. Divertiam só porque qualquer dois player games em um Super Nintendo já era motivo de diversão. Sabe, parando para pensar, acho que a melhor conversão de toda a história de um filme para um game foi Goldeneye 007, para N64. A Rare era monstruosa naquela época, dava gosto de ver os games dela... Conker que o diga...


Como se pode ver, naquela época as explosões dos games imitavam com fotorealismo as vistas na série de TV. Por isso que ninguém reclamava dos gráficos.



Pra você ver: é estranho como livros costumam virar jogos melhores que filmes o fazem. Claro que se não fossem os filmes para dar aquela forcinha, Harry Potter, Eragon, Lord of the Rings etc. etc. etc. talvez não tivessem saído do papel. Mas não é lei: um dos games mais surpreendentes da atualidade foi concebido no século XIV.

Não, quê!? É sério! P****, para de rir e me ouve, ca****! Dante's Inferno! A Divina Comédia, escrita por Dante Alighieri, foi a base para esse game. P****, quantos games você vê andando pela rua com base em um poema medieval? Sim, tem lá os seus defeitos, e sim, eu nunca vi um game andando na rua, mas mesmo assim, Dante's Inferno merece muito mais destaque do que essas cópias baratas de super-heróis feitas às pressas só pra embarcar na onda de algum filme. Os Incríveis virou um game de chorar de ódio... bom, era para criancinhas, afinal...

Mas não só filmes têm dificuldade pra virar jogo. Animes também penam, e viram essas coisas "flindas" que são as toneladas de Bleach e os milhares de Naruto que infestam as prateleiras das logas como clones ninjas das sombras, ocultando os outros jogos. Não que os games do Naruto sejam riuins em si, só são clones um do outro, com pouco a acrescentar. A luta é estilosa, mas para quem já fechou o 1, o 2, o 3, o 247, o Shippuden Ultimate Avassalator Anihilator ShidoribuchintoHazenganmeikamehameha Ninja Eternal Absolute Infinite 17 e todos os outros, chega uma hora em que você diz "mas eu já fiz isso nos vinte e nove jogos anteriores! Por que eu preciso bater em você de novo, cara malvado que era bonzinho e segura estilosamente a katana enquanto dá choques que nem uma torradeira quebrada? Eu também Já vi a sua forma super-demônio-sem-noção, e já bati nela também. Vinte e nove vezes. Cadê as novidades? Ah, mais 1 personagem novo e duas roupas alternativas pro Charuto? Tô fora".


À esquerda, com a cara satisfeita: "Por favor, não me diga que eu fui transformada em um video gam... ah, meleca."
















À direita: Hell Girl pedindo a Deus que isso seja só mais uma brincadeira sem graça do Keitava de primeiro de abril. É, Enma: bem vinda ao inferno.



Eu fico imaginando o porquê disso. Cada vez mais ouvimos falar em jogos que mais parecem fílmes, e eles são bem-vistos. E jogos passados para filmes tendem a não ser tão traumáticos assim. Claro, muitos são uma piada do que se vê nos games, como os filmes de Mortal Kombat e de Street Fighter. Mas há alguns que... bem... Bom, há Resident Evil, cuja trilogia para o cinema foi... ah... certo, foi um caco. Tomb Raider foi apenas um pouco melhor. E esperamos sinceramente que Prince of Persia seja algo a que se lembrar (positivamente). Os filmes do Mario também eram piadas, os de Pokémon (sim, eles começaram como jogos) eram até que muito bons para quem era fã da série. Silent Hill foi outro filme bem produzido, mas que simplesmente não pode ser comparado em qualidade à série. E o que dizer de Final Fantasy VII Advent Children então (o outro, Spirit Within, a gente ignora com prazer)? Basicamente, os jogos que tentaram manter a essência do filme saíram umas tristezas, e vice-versa. Para não dizermos que todos os que tentaram inovar se deram bem, há uma série de exemplos. Mas e os que se contentaram em imitar a obra da outra mídia? Os filmes que tentaram imitar os games saíram "aceitáveis", para os padrões hollywoodianos atuais de explosões e etc. Mas e o contrário? Dificilmente seria verdade.




"-Cara, vem cá! Uns camaradas lá tão dizendo que você é aquele cara do Heavy Rain! É sério?! Meu, eu curti muito o teu jogo, cara! Parece filme, cara! Mas eu posso fazer o que eu quiser!
-Sério? Legal. Agora podemos ir logo pra parte em que você me mata?
-Por quê? Agora não era a parte onde você corta o dedo com a tesoura?
-Chega de spoilar o game, pô! E não, não é com... ah, me mata logo."


Eu tenho uma teoria para isso: games não existem apenas com gráficos, sons e história, como os filmes (claro, estamos sendo simplistas. Há muitos outros fatores que entram aqui). Há algo mais, e não estamos falando de jogabilidade - que é importante, mas também é óbvio (e, se serve de consolo, a jogabilidade de Iron Man para PS2 é até que boa, o que não salva o resto). Todo jogo deve pegar esses fatores e se perguntar "e daí? Como isto tudo vira um game?". É assim que o jogo do Hulk se tornou, na verdade, mais para um GTA controlando um bicho verde superpoderoso do que um desses jogos de fases feitos a partir de filmes, do estilo "passe pelos cenários do filme e faça exatamente as mesmas coisas que o filme, mesmo sem saber porque". Goldeneye também fez isso: em vez de usar a jogabilidade dos video games para promover a história do filme, ele usou a história de desculpa para se focar em um game profundo em termos de jogabilidade FPS, divertido e altamente variado.
O que não dá é se pegar uma história de filme e tentar transpô-la exatamente para os games, dizendo ao jogador "toma, este é o jogo do filme. É um jogo, onde você controla o personagem na tela, mas você tem que controlá-lo exatamente como aparece no filme, senão é game over". Droga, e cadê a liberdade para se tomar as próprias decisões, característica que, na verdade, define os video games? Pense: o que é um game, além de um filme onde você pode escolher como quer que ele seja apresentado? Tirar esse poder do jogador, com aquelas fases mal-feitas e lineares, objetivos escancaradamente definidos como um ponto vermelho ardendo em seu mapa e clamando por sua alma píxelada, afora toda a desestruturação da trama que as companhias de games fazem porque, afinal, a trama já está no filme, basta assistí-lo e você saberá do que se trata... Fazer isso é reverter os games ao seu estado de filmes. Com um senão: sem história, sem gráficos à altura do realismo cinematográfico e sem a graça de ver a ação se desenvolvendo em detalhes. A emenda fica pior que o soneto.

Por isso, se é para fazer um livro, deve-se seguir um dado formato, não para padronizar a obra, mas para que ela de fato tenha coerência. É como querer narrar algo num livro supondo que o leitor esteja vendo o que você diz. Tirar a liberdade do jogador é como tirar as descrições do rádio. É tirar as explosões dos filmes de hollywood, ou querer passar um filme sem imagem, apenas com som. Descaracteriza-se o meio. Não é só questão de jogabilidade, é questão de liberdade. Games não são "filmes para se controlar" apenas. São, por assim dizer, filmes para se decidir o que fazer. Nem que essa decisão seja sair destruindo tudo em vez de prosseguir na história. A decisão é sua, pelo menos. Nos games, deve-se fazer algo quando se tem vontade, não quando se é obrigado pelo roteiro do cineasta que não tem nada que ver com o assunto. É isso o que falta a grande parte das produtoras de games baseados em files entender.

Anote as minhas palavras: É absurdamente provável (só não digo que vai acontecer com certeza porque não sou vidente) que não será neste, nem no próximo jogo de filmes de super-heróis que as produtoras entenderão que, mais do que controlar os raios de sei-lá-o-que-azul da armadura do Iron Man, queremos controlar o homem, a lenda, o polígono por baixo dela. Queremos o poder de decisão sobre a personagem, não só sobre o dedo do gatilho dessa. Desculpem empresas de filme, mas se é pra fazer um jogo, e um decente, vai ter que liberar geral. E tenho dito.



Falou.

Why am I Mr. Pink?





Olá a todos! Eu sou o Mr. Pink, o mais novo contratado pelo Blog não dá XP. E já que HQs não são bem o meu forte, trago até vocês o que posso: boa música [estranha] e bons filmes [antigos]. Mas não pensem que eu vou ficar com dados técnicos nem nada, sou um cinéfilo amador e pretendo usar do bom humor para apresentar-lhes ótimas indicações. Portanto pegue a pipoca, a Coca-cola e vá pra frente do computador.
Logo no primeiro post, já vou explicando o meu pseudônimo. Steve Buscemi interpreta Mr. Pink no primeiro longa dirigido por Quentin Tarantino: Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992). Diretor fantástico, dirigiu clássicos como Pulp Fiction, Kill Bill (vai sair o terceiro!), Grindhouse e o atual e não menos genial, Inglorious Basterds, com Brad Pitt.
A trama se desenrola a partir de um grupo de assaltantes que são contratados para assaltarem uma joalheria. O detalhe é que eles não se conhecem, e recebem apelidos para justamente continuarem não se conhecendo. Não podem comentar seus nomes, nem falar sobre suas vidas pessoais, nem nome das esposas, nem bancos que já assaltaram. Mr. Pink (o esperto), Mr. Blonde (o satânico), Mr. White (o experiente), Mr. Blue (oi?), Mr. Orange (o espertão) e destaque para Mr. Brown, interpretado pelo próprio Tarantino.
Logo de cara, na primeira cena, estão todos sentados à mesa de uma cafeteria, discutindo sobre "like a virgin", da Madonna. Quentin é o mestre nos diálogos: mesmo sem conhecer os personagens ainda, você sabe quem são e o que fazem, através de um diálogo aparentemente sem nexo.
Anyway, algo dá errado e bem na hora do assalto, a polícia estava pronta no lugar e na hora certa. Eis que se descobre um traidor entre eles, um tira (“os coxinha”, no Brasil), e ninguém sabe quem é pois, afinal, ninguém sabe nada sobre ninguém.


RESUMO: Filmaço foda de macho e de máfia, papo-cabeça e muita violência com muito sangue jorrando na tela.
FINAL DO FILME: Dos amiguinhos coloridos, apenas 1 sobrevive no final e foge com a mercadoria.
Não vou contar o resto pra não estragar o clima, mas é um filmaço (nem tanto, tem apenas 99 minutos) que vale a pena assistir. A música tema é Little Green Bag, com George Baker Selection. Se quiser ouvir, tem no Youtube.
That's all folks! Me despeço sempre com uma mensagem bonita, uma palavra amiga de sabedoria sempre buscando reflexão e auto-ajuda (#fikadika):

"Um dedo é apontado para a lua. O sábio olha para o dedo, o fraco olha para a lua".

quinta-feira, 1 de abril de 2010

April's fool!

Bom, resolvi me reciclar. Acordei, e diante do belo sol da manhã de hoje, pensei que era um bom dia para virar uma página vida. Resolvi tomar algumas atitudes que vão me enriquecer como pessoa e vão contribuir, também, para a vida de todos vocês, companheiros de postagem e leitores do blog.

Resolvi parar um pouco com vícios ruins que tenho há alguns anos: pararei com os jogos e deixarei de sedentarismo. Amanhã começarei uma nova rotina de 23km de corrida por dia, 8 horas de trabalho, 4 de faculdade, outras 2 de estudo, e o restante dedicarei ao sono. Prometo encontrar intervalos regulares para comentar o meu progresso na mudança de vida aqui no blog.

Falando no blog, decidi mudar um pouco as coisas por aqui. Em primeiro lugar, mudei a senha para postagens e deletei todos os posts anteriores. Em breve, lançarei um novo layout, e o nome "blog não dá xp" será substituído pelo "Cantinho da cultura do Keitava". Acho que o lugar pode ser mais útil para a humanidade transformado em um lugar para notícias do mundo virtual, e coisas assim. Acho que é muito original.

Ok, eu sei, não convenci ninguém. Não posso me afastar dos jogos, e por mais que não seja um verdadeiro sedentário, não acho que as palavras 'sedentarismo' e 'World of Warcraft' possam ser desvinculadas. Não exclui nenhum post, obviamente, nem tampouco alterei senha alguma. Só queria começar o meu digníssimo post de primeiro de Abril de um jeito um pouco escroto. Eu sei, consegui.

De fato, sequer sou um grande fã desse mundo das pegadinhas de malandro no dia de hoje. Já caí em algumas bem feias e, confesso, esses três primeiros parágrafos foram o meu primeiro "April's Fool" do dia. Uma coisa, por outro lado, é intrigante: a forma como o mundo nerd explora essa data sempre me diverte. Resolvi, portanto, coletar um pequeno grupo das melhores sacanagens da data a compartilhar aqui com vocês. Segue, em ordem de abertura no meu navegador, os meus achados:

1. Google muda seu nome para Topeka

A cidade de Topeka, que alguns meses atrás mudou seu nome para Google, com o intuito de atrair a atenção para um projeto da empresa no local, foi surpreendida com a agradável homenagem da multinacional mundial no dia de hoje. O Google declarou que a partir de agora, se chamará Topeka!

Criativo. Se não fosse o Google, talvez alguém acreditasse

Fonte: http://googleblog.blogspot.com/2010/04/different-kind-of-company-name.html

2. Youtube libera a resolução TEXTp para vídeos

Lembram da surpresa quando os vídeos no Youtube tinham a opção HD disponível? Aqueles espetaculares vídeos em um tamanho decente, e especialmente atraente pra trailers e derivados? Pois é, a versão TEXTp é quase tão surpreendente quanto. Os vídeos, agora, podem ser vistos no formato de desenhos em ASCII, com o plus das cores!

Tudo que você sempre quis: assistir seus vídeos como se fosse a Matrix

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=_RgL2MKfWTo

3. Com exclusividade, IGN.com adquire o primeiro trailer do filme de Halo

Isso mesmo! O filme de Halo vem sendo comentado por aí há um tempinho já, e muita especulação tem aparecido sobre a porra toda. A Bungie, pelo Twitter, liberou no dia 30 de Março uma misteriosa imagem, sem muitas explicações ( https://twitter.com/bungietweets/status/11334282184 ), e hoje, a bomba caiu. O Trailer do filme de Halo! A surpresa, porém, é que o nosso herói será interpretado por ninguém menos que... Um árabe?!

Ouvi dizer, também, que o elenco foi tirado de outros conhecidos vídeos, como Tunak Tunak e Rivaldo Sai Desse Lago

Fonte: http://movies.ign.com/dor/objects/40236/halo/videos/halomovie_trl_040110.html

4. Blizzard lança a primeira interface neural para uso com a battle.net

Pela bagatela de $14.999,00, e em três cores diferentes, a Blizzard garante uma experiência de tato, visão e até mesmo paladar com a interface neural para World of Warcraft. O experimento, porém, ainda não parece seguro, uma vez que eles não se responsabilizam por qualquer dano cerebral causado pelo produto.


Quer saber? Eu corria o risco!

Fonte: http://us.blizzard.com/store/details.xml?id=1100000922

5. Slashdot.com, estimulado pelo novo mercado, lança o slashroulette

Já conhece o Chatroulette? Não? Google it! É um site onde você conversa com um estranho de qualquer lugar do mundo. O diferencial? Com o uso da webcam! O slashdot.com colocou o suposto slashroulette em todas suas notícias, e por mais bobo que seja, eu quase acreditei que alguém realmente estivesse me olhando.

Dá pra crer? Tiozão na webcam?

Fonte: http://news.slashdot.org/story/10/04/01/141209/France-Bans-Use-of-20

6. Collegehumor fechado e você fodido

O site collegehumor foi, supostamente, fechado pelo Departamento Civil dos Estados Unidos da América sob investigação legal. Nosso IP foi gravado por eles, e podemos, a qualquer momento, ter de responder a algumas 'questões' feitas por homens de terno preto e óculos escuros.

A URL denunciou a brincadeira, mas um tempo atrás o mininova.org fez parecido e juro, me borrei todo

Fonte: http://www.collegehumor.com/aprilfools

7. Blizzard anuncia o desenvolvimento do sistema E.P.E.E.N.

O que alguns Addons do World of Warcraft, como o GearScore fazem, a Blizzard pretende adicionar na mecânica original do jogo agora! Junto com a declaração de que os equipamentos são a coisa mais importante do jogo, vem o anúncio do sistema de Equipment Potency EquivalencE Number, vulgarmente conhecido como E.P.E.E.N. traduzido para o português: E-Penis.

O desprezo que a famosa playerskill recebeu foi quase cruel.

Fonte: http://www.worldofwarcraft.com/info/underdev/equipmentpotency.xml

8. Novos produtos no Thinkgeek

Lar de muitos nerds de carteirinha (como eu), o site Thinkgeek.com liberou produtos incríveis, como a figura de ação de um Monolito que vemos na imagem abaixo. Cheios de suas peculiaridades, o site de gadgets libera outros produtos excepcionais, como o plush de bacon e o iCade.

Já imaginou as épicas batalhas entre o monolito e o bacon de estimação?

Fonte: http://www.thinkgeek.com/

9. Deviantart e uma pequena mudança nos avatares

A casa de muitos grandes artistas da interwebz resolveu que hoje era um bom dia para mudar os avatares de todos os cadastrados. As opções vão de Edward Cullen e Bella Swan até a querida Lady Gaga. Os gifs são engraçadinhos, e valeu as risadas ao ver pela primeira vez, mas não é realmente impressionante.

TEAM EDWARD, GO! GO! GO!

Fonte: http://meppol.deviantart.com/art/The-Egg-Plunderer-159150595

10. Google Docs procura beta-testers para a nova geração de armazenamento

Não satisfeito com o simples armazenamento de documentos, o Google Docs se propõem a armazenar absolutamente QUALQUER COISA. Desde documentos, até... Objetos reais?! Exatamente. Depoimentos no site falam que realmente facilitou a vida deles.

1º de Abril hoje, 24 de Dezembro em alguns anos

Fonte: http://www.google.com/google-d-s/promos/storage.html

11. Lançado o serviço Matchmaking do World of Warcraft

Cansado de ter que largar a raid pra dar atenção pra namorada? Não aguenta mais aquela pizza de sexta a noite, quando podia fazer aquela battleground? No moar problems, my friends. A Blizzard lançou o serviço de matchmaking, que procura para você, caro nerd sem namorada, o par perfeito de acordo com os seus interesses.

Juro, se eu não tivesse uma namorada que joga WoW eu já tinha tentado essa porra aí

Fonte: http://us.battle.net/matchmaking.html

Agora, se me derem licença, o server está on de novo, e eu vou uppar. FELIZ PRIMEIRO DE ABRIL!

terça-feira, 30 de março de 2010

Mancadas da Marvel, será que isso um dia acaba?


Mutantes em época de escola, Tropa Deadpool, Wolverine bonzinho, Colossus gay...


Isso cansa né?


Pois é, vira-latas nojentos, cada vez mais a Marvel faz mais e mais cagadas em cima das historias que estavam boas.


Bom, vamos estabelecer uma ordem baseada no que citei ali em cima.


Li há alguns dias no MdM que estava para lançar uma HQ dos X-men com mais ou menos 16 anos no colegial.


Espera aí, a Marvel está disposta a MATAR a cronologia e a historia original da série SÓ para criar uma versão ridícula para adolescentes?


Já não bastava destruir a série lançando o desenho terrível "X-Men Evolution"?


Com certeza a história mais massacrada de todos os tempos foi a dos X-Men, vamos a um rápido flashback.


Bom, começando pela criação de MUITOS mutunas que apareciam e sumiam em questão de dois ou três quadrinhos. Okay, é sempre bom renovar o elenco, mas criar desesperadamente mutantes só para aumentar o número de histórias não é massacrar uma série a toa?


Depois, foi o afrouxamento do Wolverine, o cara que era todo ferradão, assassino nato, um cara sem nenhum senso de bons modos, vira e mexe aparece ali na mansão podando as plantinhas, dando lição de moral nas crianças, enfim, um bom e velho tiozinho-gente-boa-americano, lembrando que o cara está sendo mais explorado do que o Pica-pau na Record.



Titio Logan tomando uma branquinha após dia cansativo de trabalhos na Fazendinha X.


Isso sem mencionar a franquia dos X-Men no cinema! O coitado do Wolverine que era um baixinho peludo e emburrado foi interpretado por ninguém mais, ninguém menos que Hugh Jackman, um australiano gigante de 190 cm, que fisicamente não tem NADA a ver com o original Wolverine, isso entre outras babaquices me fizeram pegar nojo da franquia. Mas mesmo assim me empolguei ao saber que Gambit e Deadpool estariam no X-Men Origins, e fui assistir no cinema o filme com uma grande expectativa, chego lá e me deparo com uma cena descente do Gambit, e o Deadpool faz umas duas piadinhas no filme e depois se torna um zumbi mesclado com todos poderes dos X-Men. Cara, o que o filme tem a ver com as historias originais? NADA! Eles mataram pela centésima vez a história.




Marcos Pasquim tem mais naipe pra Wolverine que o próprio Hugh Jackman.


E voltando ao universo impresso, eles lançaram a sequência renovada dos X-Men, o X-Men Ultimate, eu li uns 30 HQ's, achei muito bom mesmo, sem muitos detalhes para comentar, colocaram o Wolverine mala e assassino de volta e isso me animou bastante, o Ciclope sempre metido a lider-de-equipe-mala-bagarai, mas ele sempre foi assim, então eu aprovo, já que essa é a personalidade dele. O que não gostei na série é que algumas coisas eles tentaram "atualizar" e fizeram um mal do caramba, como por exemplo, o Colossus Gay,é isso mesmo que vocês leram, o Colossus é gay, mas ele não é gay tipo o Shun (Cavaleiros do Zodíaco), que dava entender que era um gay enrustido, o Colossus REALMENTE é gay, ele inclusive demonstra uma "admiração" pelo Anjo O_o". Sabem, eu não sou contra incluírem um X-Men gay, muito pelo contrario, acho de certa forma interessante, porque dá para explorar mais um nicho de pessoas, já que o intuito dos X-Men é isso mesmo, Mutantes de vários países e de várias raças em um lugar só para combater o preconceito da humanidade, mas isto não muda o fato de que ESTRAGARAM o personagem, só para dizerem que não eram "homofóbicos".



Colossus ao som de YMCA - Village People


E para torcer a faca no peito da história eles lançam uma série de quadrinhos que mostra os mutunas em época de High-School, pqp, isso é de matar! a Tempestade, que é uma mutante que tomou uma surra para controlar seu poder, do nada se torna uma mutante adolescente, fora o aclamado Wolverine, que é um ex-soldado de guerra que lutou na primeira guerra mundial ao lado do Capitão América e que fez todo aquele processo da Arma-x para se tornar quem é, e agora também do nada o cara tem uns 15 anos, igual todo mundo, e é isso aí, tá todo mundo feliz indo pra escola com aquela historinha otária "salvar o mundo e fazer o dever de casa" de sempre.



Peguei do orkut do Ciclope, tava escrito: "Eu e meus miguxos combatendo o mal, antes das 20:00, claro"


E saindo um pouco, mas não muito dos X-Men, vamos para o Deadpool. Quem me conhece sabe o carinho que eu tenho por esse personagem, já que a veia cômica dele é a mais apurada da Marvel. Eu sempre aceitei tudo o que colocaram com o Deadpool, a maçaroca que sempre fizeram com ele eu até achei interessante, mas como tudo na vida, isso tem limites!


A nova saga do mercenário tagarela é realmente uma piada ao humor negro das historias originais, "Tropa Deadpool" é uma das minhas maiores decepções com a Marvel, deixou o Liefeld trabalhar nela, e como se não bastasse o ilustrador terrível, criaram uns companheiros escrotos pro Deadpool que cujos nomes são totalmente auto-explicativos "Headpool, Kidpool, Cãopool e Garota Deadpool" preciso explicar o que cada um é ou o que cada um faz?


Família Pool, Não são fofix?? (L)



Com certeza, nenhuma mancada é tão grande quanto o X-Campus, mas eu não desprezo nenhuma delas.


Bom, vou acabar por aqui, senão fico até amanhã escrevendo sobre as milhões de mancadas da nossa querida Marvel!


Nós precisaremos de SORTE se quisermos continuar acompanhando o trabalho da Marvel.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Hominem te Memento

Bons tempos aqueles do Freakazoid... Não, esta legenda não tem nada que ver com a foto, como você já percebeu...


O que se gosta de fazer não enjoa. Não me recordo de um provérbio que mencione exatamente isso, mas não é complicado achar exemplos dessa idéia na prática. É, aliás, quase uma ofensa ao intelecto tentar explicar isso a uma pessoa (como boa parte das formidáveis frases de fundo de garagem inventadas anteontem por dois bêbados que esses chineses malandros nos fazem engolir sob o rótulo de “provérbios milenares”). Não é óbvio o suficiente que se você gosta de algo, não se cansa de fazê-lo?

Era óbvio para mim até 2007. Veja: vídeo games acompanham minha estrada desde o começo. Não é algo que se possa colocar em um curriculum vitae, nem nada que fosse me garantir um posto de destaque na sociedade, mas é algo que nerds tendem a usar como trunfo para se gabar, por mais que estatisticamente 95% deles já tenham nascido perdendo uma vida para um magikoppa, e que isso não sirva para nada, já que as chances de ser ownado pelos 5% restantes não variam. Digo isto em parte por ser meu primeiro post neste blog, como uma apresentação implícita (dessas forçadas, como entre dois personagens amigos de infância que, no começo de um jogo, dizem um para o outro: “Ahw... bom dia, ZEQUINHA DA SILVA, MEU AMIGO DE INFÂNCIA E PESSOA EM QUEM POSSO CONFIAR MINHA VIDA. APESAR DE INTROVERTIDO, POSSUI UM CORAÇÃO DE OURO E UMA DISPOSIÇÃO PARA FAZER O BEM! Você ouviu rugidos vindos da perigosa floresta que tem nos fundos de casa, infestada de abelhas gigantes que misteriosamente nunca saem de lá para atacar nossa pobre vila de 3 casas e um shop?) Mas, principalmente, faço esta apresentação nada breve para iniciar meu tópico do dia (sim, ainda está no começo. Vai apertando o X pra chegar logo nos finalmentes se quiser).

2007. 17 anos de vídeo game (bom... teoricamente eu nem sabia direito o que era isso antes dos 2 anos, mas já coloco 17 anos para enfatizar o tempo). Ocorreu-me algo curioso quando apanhei Zelda Twilight Princess para jogar: não fiquei particularmente atraído. Apesar das críticas (que nem críticas eram, mas propagandas) que o jogo recebera. Apesar das notas 10 nas revistas especializadas em nintendo, com direito a troféus de platina feitos na realidade de tinta azul e branca. Apesar do contracenso em se haver um Zelda que não fosse simplesmente... Zelda. Antes, já vinham alguns jogos respeitáveis, como Mario Party e Dragon Quest, me incomodando. Não que fossem ruins (seria um sacrilégio pensar assim). Mas, de algum modo, não eram como antes. Ou, antes, eram sim. Eram exatamente como antes. Então, por que já não me impactavam?


Com o novo Juicer da Philips Walita você mói carnes, rala queijos, fatia batatas, tritura verduras e... sobe em paredes?!


Essa dúvida começou a me incomodar desde tal época. Com Super Mario Galaxy, tive a certeza: o problema era comigo. Se me diverti, decerto que sim. Mas nem de perto como com SM World, ou SM64, ou SM Sunshine. SMG era um jogo indiscutivelmente bom, mas não do modo como eu esperava. Durante todos esses tempos, oscilei entre culpar à baixa dificuldade dos jogos e a algum não bem explicável estado de recaída nérdica. Ao risco de tornar isto uma confissão, nunca deixei de me interessar por games. A ponto de sacrificar minha visão por dias diante das paisagens indiscritíveis de Okami, ou xingando hunts em Final Fantasy XII, que, mesmo com a party no nível 99 e equipamentos excelentes, arruinavam meus guerreiros másculos e viris + Vaan. Como todo nerd há de compreender. Ainda assim, me sentia mal por não ser capaz de pular em um pé só feito um flamingo dopado frente jogos como Resident Evil 5, Gran Turismo 4, Call of Duty Modern Warfare e etc. tal como quando jogava suas versões anteriores de Playstation e afins. Eu, que nunca me apeguei particularmente a saudosismos, que pulei de alegria quando vi os primeiros gráficos de Zelda Wind Waker enquanto muitos dobravam os narizes, e que nunca tive pretensões de fechar Zero Wing em japonês só porque a versão em inglês é um jogo de comédia histórico (e só o fiz porque me foi dada a chance por uma namorada minha chamada internet).

Preto, Branco e Vermelho

Cortando uma longa história (e um post que já está igualmente longo), crescia meu medo de estarem concretizando-se previsões hereges, de que eu estaria “amadurecendo e deixando coisas de criança de lado”, dessas ouvidas por todos os bravos que dedicam uma vida (ou duas, ou dez, ou quantas forem precisas) a salvar princesas e repelir alienígenas. Algo como uma crise da meia-idade, voltada justo a algo que me é tão caro: jogar vídeo game. Talvez provocada por um cansaço de estar fazendo aquilo a tanto tempo.

Essa foi precisamente a resposta que eu encontrei. Eu estava fazendo a mesma coisa havia tempo demais. Mas a “coisa” a que me refiro não era jogar vídeo game. Era salvar a princesa. Confuso? Eu explico. Não eram todos os jogos que me davam ânsia. Para ser mais exato, games como Baten Kaitos, Time Hollow e outros onde o que mais me chamava a atenção era a história criativa nunca saíram da minha lista de favoritos. Tampouco games onde o foco era o grau de inovação, em plot ou em qualquer outro detalhe, como No More Heroes, Little Big Planet, Shadow of the Colossus, Bioshock, Heavy Rain, Siren, God of War, Mirror's Edge, Beyond Good and Evil e tantos mais, para citar apenas uns poucos exemplos recentes (e uns nem tão recentes assim...). Jogos multiplayer também costumavam não me cansar rápido, já que sempre algo novo ocorria. Eram apenas alguns jogos que geravam aquela sensação de fastio, por vezes até mesmo de estar perdendo tempo. Jogos muito bons, por sinal, e quase sempre renomados.

Jade é um exemplo de que jornalistas podem dar certo na carreira em que escolheram: cobrindo invasões de aliens e assaltos de dragões, ficou renomada no mercado. Pena que seu sonho era ser jornalista esportivo...


Pois um dia, estava eu pensando em jornais. Sim, um desses pensamentos aleatórios, absolutamente sem conexão com vídeo games. (a razão: estudo jornalismo). Estava pensando por que o modelo dos jornais mais antigos e conceituados me apetecia tão pouco. Não adiantava a Folha mudar sua diagramação, o Estadão aparecer com cavalinhos sob o nome da gazeta e vir dizendo que foi a maior revolução desde que “Graham Bell inventou a imprensa” (sim, eu já tive de escutar isso uma vez de uma fonte que prefiro deixar no anonimato). A impressão era a mesma de estar lendo um exemplar do The New York Times da época dos gangsters. Algo me incomodava com aquilo que meus professores chamam de “identidade do jornal”. Eu entendo que se de um dia para o outro o logo do Le Monde aparecesse de pé na direita da capa e com uma foto de página cheia holográfica que nem as que vinham nos Tazos especiais dos Looney Tunes nos idos de sei lá que ano, isso assustaria seu leitor. Mas eu me perguntava até que ponto isso os afugentaria e arremessaria o veículo no caos como boa parte dos jornalistas da linha dura e parte dos da sorbonne bradam aos quatro ventos. Quer dizer, jornais impressos já não estão perdendo leitores ano após ano? Isso não prova que há algo errado? Colocar um cavalinho debaixo do logo do Estadão e melhorar discretamente o feng shui da disposição das notícias na página vai fazer o leitor olhar para o jornal e dizer “Ah, espere aí! Agora tem um cavalinho aí! Ah, isso faz toda a diferença. Vou levar dois, um pra mim além do pro cachorro como é de praxe”. Não, sério? Se as pessoas já enjoaram do modo como os jornais são apresentados mais ou menos do mesmo modo desde que eram trazidos nas caravelas para a corte portuguesa no Brasil, preto no branco e vermelho para os destaques, talvez não seja o caso de essas modificações se preocuparem um pouco menos em “manter a identidade” do jornal e um pouco mais em reobter os leitores que o deixaram? Revistas novas de games também vinham desbancando algumas outras, mais velhas e mais conhecidas. Isso sim era o caos.

Preto e branco, dita a mistura de cores que melhor evoca o passado. Filmes em preto e branco, páginas de jornais em preto e branco. Um dia, contudo, algo me atingiu como um pneu me imobilizando, seguido de uma adaga, uma motosserra, um poste me empalando, um segundo corpo empalado no poste e um trem coberto de espinhos em alta velocidade. Tudo isso em preto e branco. E vermelho.


E há quem dizia que a ROTA fazia um bom trabalho limpando as ruas da cidade...


Mad World me fez recordar aquele pensamento sobre jornais renomados. Mais que isso, me fez recordar como era doce ganhar pontos às custas da vida de inimigos. Um jogo em preto e branco foi a coisa mais revolucionária que eu me lembrava em termos gráficos desde Okami (sim, há muitos jogos bonitos nesse ínterim, mas nada chocante como um jogo em PB apenas com sangue em vermelho). E me fez recordar a questão de meu aparente enjoo com games como Guitar Hero um ziblhão (que já está ultrapassado, porque já foram lançados 13 Guitar Heroes novos desde ontem), Zelda Twilight Princess (que apesar de possuir a alteração como lobo, sem dúvida o ponto alto do jogo e comparável em diversão a pilotar o barco de Wind Waker pela primeira vez, consegue imitar tão bem a sensação de se jogar Ocarina of Time no resto do tempo que se torna um grande Déjà Vu), Super Mario Galaxy (fantástico nos momentos em que a gravidade o faz andar de ponta cabeça em planetóides, mas nem tão inspirado nas fases mais tradicionais), Halo 3 (“cara, eu já não tinha te matado no jogo anterior. E no antes dele também? Ah, bem, aqui vai mais plasma derretido então...”), Tony Hawk Qualquer Um Depois de American Wasteland (Ollie, kickflip, manual, The 900, fechou), etc.

Como eu disse, nenhum jogo ruim, muito pelo contrário. Difíceis de serem criticados, exceto por um quesito: inovação. Convenhamos que brincar com a gravidade e virar lobo são coisas animais, que valem o jogo por si sós. Mas a sensação de que você já viu todo o resto começa a perturbar. Do mesmo modo que o Estadão está muito, mas muito longe de ser um jornal ruim. Não se pode criticar o conteúdo daquilo que já se tem tanta tradição, tanto do jornal quanto dos jogos citados, para merecer tantas continuações. Se Final Fantasy tem 13 jogos apenas na série principal, há algum motivo. Porque as pessoas gostam. O mesmo com Mario e Zelda, Guitar Hero e todos os supracitados. Eles têm tradição.

Mas Mad World me fez repensar sobre essa tradição. Twilight Princess me pareceu um largo passo adiante (com o lobo) e uma série de passos atrás do que havia sido construído com Wind Waker. Na esperança de remeter a Ocarina of Time, a Nintendo manteve os clichês que todo fã de Zelda espera ver na série, dos personagens à trama e à trilha sonora. Mas, afora o Link-Lobo e Twilight, muito citada mas nem tanto visitada quanto se gostaria, onde estiveram as surpresas? Pescaria, cavalo, Ganondorf, arco e flecha, Templo da Água e do Fogo... Esses elementos caracterizam Zelda como a diagramação caracteriza o Estado de S. Paulo. Mas mantê-los todos é mesmo necessário? Em Wind Waker não havia Epona, nem fadinha, nem “gráficos de Zelda”... droga, quase nem havia Hyrule! E era um Zelda, e dos bons! Majora’s Mask também não tinha Hyrule, nem o sentido habitual de “posso ficar vagabundeando a esmo pelo tempo que eu quiser”, nem Ganondorf, nem Master Sword, nem Zelda (bom... até tinha... mas... ah...), com Link-Zora e Link-Goron e Link-Arbusto-Rodopiante. E era um tremendo de um Zelda. O que define a série talvez seja o modo como consegue ligar por meio de um personagem em comum tantas novidades. É o mesmo com tudo o que é tradicional: deve evoluir, se modificar constantemente, para não se tornar “mais do mesmo” e deixar de existir. Verdade seja dita, Twilight Princess chega a ser bem revolucionário em alguns pontos. Mas ao lado de tantos jogos absurdamente inventivos, na época em que o Wii estava em seu início, acabou se parecendo mais “padrão” do que deveria. O mesmo para todas as seqüências, que precisam zelar pelo estilo da série sem se repetirem (coisa que eventualmente acaba acontecendo).

Isso, reclama mesmo da vertigem que você sentia jogando Ico. Vai, reclama!


Qual a solução disso? Parar de produzir o Estadão e abandonar Mario e Zelda? Não, definitivamente. Muitos hão de discordar, mas para mim a solução é arriscar mais. Sim, claro que, por exemplo, Final Fantasy XII foi um passo adiante na série em vários aspectos, mas tinha potencial para ter ido muito mais além. Como, digamos, tendo colocado Basch, o capitão maduro, no lugar principal da história, como foi até um terço da produção do jogo, em vez de Vaan, órfão de coletinho duvidoso e personalidade forte como um Moggle em estado vegetativo coberto de debuffs. A opção por não se desvincular demais do protótipo de Main Char rostinho bonito da série, nesse caso, não chegou a causar um problema, porque o sistema de batalhas diferente, o mundo e outros aspectos compensaram os tradicionalismos da Square Enix com relação à trama. Mas há desgastes que já se tornam aparentes nas fórmulas de séries mais clássicas e mesmo de gêneros, alguns enveredando por tantos lugares-comuns e games genéricos que causam ânsia de vômito (*cough* 95% dos FPS *cough*).

Não, isso não se trata de “síndrome do Veterano”, que já está cansado de tanto ver guerra. É mais como uma constatação: nada é eterno (outro “provérbio milenar chinês” estrategicamente posicionado). Quem não oferece novidades, termina. É o que se vê com o desespero da Sony em copiar o Wii-mote (mas conquanto gere jogos divertidos, não reclamo), e com o Project Natal da Microsoft. Podemos – e devemos – esperar uma constante renovação das séries, para que possam oferecer sempre novidades de fazer frente com os criativos jogos novos que surgem, e que também viram franquias, e que também devem procurar evoluir para enfrentar a nova concorrência, e assim por diante. Que Hyrule entre agora na Era Industrial (como havia rumores anteriores à Twilight Princess) ou na espacial, e que Ivalice seja engolida pela Twilight, e que Mad World 2 encontre alguma forma de manter seu brilho monocolor. Mais do que tradições, gamers (e não “istas”, de nintendistas, sonistas, microsofistas e puristas. Digo gamers de verdade, que gostem de games, não de marcas) buscam novas formas de se surpreender. E a quebra de paradigmas é uma surpresa por si só. Exemplos de franquias que um dia foram consideradas eternas e que hoje estão capengando, como Sonic e Mortal Kombat, é um exemplo de que as areias do tempo não poupa os que ficam parados. E falando em areias do tempo, Prince of Pérsia é um raro exemplo de uma série que, nos últimos tempos, buscou se reconstruir. E ninguém reclamou. Pelo contrário. Até que ponto cada série pode ir sem perder sua “identidade” é discutível, e que tais mudanças devem ser feitas com competência, ninguém duvida – Sonic muito menos. Clássicos são sempre clássicos, mas águas passadas não movem moinhos (hoje eu estou mais “provérbico” que de costume...).

E se há novas séries dando novas experiências aos jogadores, não adianta as velhas ficarem insistindo no que já é certo e seguro. As empresas de games teriam bastante a aprender com o declínio dos jornais impressos. Uma série que perde sua identidade normalmente tem outras chances para reconquistá-la (Sonic, novamente ele, tem dez chances ao ano e desperdiça todas, mas ninguém deixa de acreditar que um dia ele há de se emendar. Bem... quase ninguém). O único erro imperdoável nos games é o da insistência no que não dá resultados. Não poucas séries, de diferentes gêneros, perderam muito espaço por bater nas mesmas teclas gastas, de Driver a Kirby, e outras começam a dar sinais de desgaste de fórmula, como Need for Speed e Pokémon. Sem querer ser chato, mas não há fórmula que resista para sempre a tantas continuações tão parecidas. A Nintendo já percebeu isso, e está lançando variações, de Pokémon Rancher às de mystery dungeon e além. O que é um bom sinal, pois mostra que a companhia está atenta. Infelizmente, o adjetivo "bom" não pode ser aplicado com tanta facilidade aos produtos alternativos (vai, para sermos justos: para o público-alvo dos mystery dungeon de Pokémon, o jogo chega a ser bem divertido, apesar de repetitivo. Mas quem disse que a série Pokémon não é repetitiva, capture uns bichos, ganhe uma insígnia, bata nuns caras, capture mais bichos... e gostamos dela do mesmo jeito). Se isso vai, a longo prazo, conseguir manter a franquia, porém, só pagando pra ver.

1,2,3...POOF. Seu rato cabeçudo roxo morreu por falta de atendimento na fila do SUS.

Sabe de uma coisa? Essa resposta me fez sentir bem. Perceber que não é um jogo que tingirá uma série para sempre (contanto que os erros não se repitam, óbvio). Quisera que os desenvolvedores percebessem isso também, e arriscassem um tanto mais em suas obras. Nem tanto para ver o circo pegar fogo, mas porque de ports e genéricos lançados ano após ano a indústria está cheia. É uma grata surpresa encontrar um jogo de uma franquia que você pensa já saber o que esperar lhe fazendo pensar "nossa, eu não previ isso" ao ligar o console. Não descaracterizando o jogo, isso poderia ocorrer com mais frequência. Este é o desafio das franquias a cada novo game, e um cujos resultados até agora são, ao meu ver, ainda são tímidos na maior parte do tempo. Se há o medo de esculhambar a imagem da série principal, faça os testes em outras paralelas de "menor atenção", como vem fazendo Mega Man com suas sequências: Mega Man 9 e 10.

Ah, sobre o título deste post. Para quem ficou curioso, hominem te memento é uma expressão em (adivinhe!) latim, que significa “lembre-se que você é mortal” (ao pé da letra, significa “lembre-se que é humano”, mas a relação é óbvia). Nada que a Wikipedia já não possa ter lhe dito antes, mas interessante mesmo assim. E remete ao que eu disse sobre séries que já foram tidas por eternas irem envelhecendo e, eventualmente, perdendo espaço. Morrendo. Como eu (acho que) disse (em algum lugar por aí no texto. CTRL+F e depois me diga onde está): nada é eterno. Só de pensar nisso... Nintendo, p***a, me deixa controlar logo o Ganondorf em um dos jogos principais da franquia antes que... não, nada. Antes que nada. Nada...

Falou.

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