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terça-feira, 27 de abril de 2010

Cigarro ainda mata mais que video game

Depois falam que é a violência dos games que leva uma pessoa a matar todos à sua volta e por fim se suicidar. Não, amigão: é esse seu hábito nada saudável de puxar tragos que vai te levar pra cova. Hum... talvez seja por isso que o Snake sofre de degeneração acelerada das células...


Não sei se vocês partilham da mesma opinião, mas para mim os fumantes estão cada vez mais respeitosos. Claro, respeito nenhum no mundo vai impedir que aquele cheiro de mato podre do inferno queimando empesteie suas roupas, mas eles estão fazendo o possível para pelo menos não bufarem na sua cara ou na maldita pizza que você comprou para dividirem.

Pelo menos é assim comigo. Não sei se tenho sorte, mas todos os fumantes que conheço pensam dez vezes antes de enublar minha visão com o miasma cancerígeno que brota de suas víceras (você já parou para pensar como pode caber tanto material para virar fumaça num cilindrozinho tão pequeno? É um milagre da engenharia!). Uma garota com quem repartia um teco de pizza indagou-me-ei-lhe-o (adoro a norma culta...) se eu, que não sou suicid... digo, fumante, me importava que ela fumasse. Ao que, no ato, me lembrei de uma frase super-estilosa de James Bond (o antigo, no livro de Ian Flemming, e não esse sociopata barato de terno caro de hoje): "Se você já escolheu o modo como quer morrer, fique à vontade". Foi o que eu disse.

Eis que a jovem quebrou meu pagamento de bacanismo dizendo algo como "o que você está dizendo de mim? Você é viciado em jogos, e nessas p**** violentas! Eu posso até me matar, mas pelo menos não vou entrar na minha escola matando todo mundo!".

Ela sabe como me atingir. Não fosse a engraçadinha conhecedora dos meus hábitos e mente-fechada a ponto de desmoralizar os gamers (já sem muita moral perante a sociedade), não falaria isso. Mas eu já estou acostumado aos coices "de brincadeirinha" dela. Contudo, algo me fez parar e refletir sobre meu pedaço de pizza ao bafo fedentino de uma dessas micro-chaminés em cuja caixinha aparece a foto de alguma pessoa que sofreu um atropelamento e teve a perna amputada mas que dizem ter sido por causa do cigarro. Enquanto raciocinava, como de habitual, o mesmo pensamento de maravilhamento mecânico perante a genialidade da forma do Pac-Man, inspirado em uma pizza com um pedaço faltante, me detive em pensamentos sobre a frase inconsequente que me foi dirigida, enquanto deixava meu olhar no modo "interesse nivel 4 - automático" voltado para a garota enquanto essa balbuciava alguma dessas frases inúteis que você simplesmente pula apertando o X como um retardado.


Queee mané Snake o quê. Snake é aquele cara lá no alto da página. Agora, a gente está com vagas abertas para um Worm, um trainee de Snake. Se você quiser se inscrever pro estágio, você tem que estar no mínimo no 5º semestre, ter 16 anos de experiência na área, conhecimentos de HTML, Java, Unreal Engine e Dance Dance Revolution e ter disponibilidade para estagiar das 7:00 às 21:00 (6 horas de estágio e a gente jura que o resto é almoço, que deve ser feito sentado na frente do PC fazendo coisas relacionadas ao trabalho... mas não é trabalho!). Bolsa-esmola de R$ 125,00, já incluso vale-busão e vale-X-pedreiro.


Cigarro e jogos violentos. O último já estava na minha cabeça havia alguns dias, porque nos EUA reacendeu a eterna discussão sobre se os games violentos deveriam ter as vendas proibidas para menores. Neste ponto, não tenho opinião muito diferente da maioria dos gamers: não é o jogo que vai fazer uma pessoa normal enlouquecer, e nem é ele que vai fazer alguém com distúrbios psicológicos sair matando. Outra: não existe algo chamado "recomendação XX anos"? Pô, alguém proíbe no cinema um(a) garoto(a) de 5 anos entrar em um filme pornô se estiver acompanhado dos pais? Está bem, é uma situação... inusitada... e forçada... mas pô! Onde está o neoliberalismo que vocês defendem, EUA, ao livre acesso aos bens de cons... ah, é. Ficou dentro do Lerman-Brothers em 2008... Enfim. Decerto que essa lei não entrará em vigor, até porque se as crianças não podem comprar os jogos, os pais podem. E essa lei, por certo, só funcionaria para os jogos originais vendidos legalmente, é bom lembrar.

Ou seja: o tal Arnold Swaznegerblegewr (sei lá como se escreve esse nome), o governador da Califórnia que propõe isso, está indo um pouco além do que deveria. Primeiro, porque tanto a E3 quanto os estúdios da Blizzard (sim, aquela, de WoW, Diablo, Starcraft... sabe?) se encontram nesse estado, e Schwarzenegger (eu estava brincando, eu sei escrever o sobrenome dele...) não é LOUCO de dizer pra Blizzard não vender mais seus jogos para seu público-alvo. E segundo porque... afinal quem é Schwarzenegger para vir falar de censura contra violência? Parece piada.





"Hasta la vista, Violence."













"In my government, you will be terminated"





Outra coisa que parece piada é que, apesar de o futebol no Brasil gerar mais violência e mortes em... algum período de tempo (não tenho dados sobre quantas pessoas morrem nas mãos e pés e paus e armas de fogo das torcidas organizadas) do que pessoas já morreram - supostamente - devido a indivíduos incentivados pela violência nos jogos, ninguém culpa o futebol em si. Por acaso você vê alguém dizendo "vamos proibir o futebol para menores de 18, porque é um jogo violento!". Todo maldito jogo você vê sair briga por causa de algum lance idiota entre algum par de pirralhos futeboleiros que mal conseguem matar a bola no peito e fazê-la deslizar por um campo que mais parece um tapete mas ainda assim têm carros que valem mais que você, o seu filho, o seu neto e o seu bisneto vão ter nas suas vidas e nas 2 reencarnações de cada um. E ninguém diz que isso é violência. Ao contrário: dizem "isso é esporte de contato. É natural". Mas são os primeiros a apontar para um coitado que está calado no seu quarto, sem bater ninguém nem sair às 3 da manhã em um carro caindo aos pedaços com o som lá no alto tocando alguma música infernal (vocês conhecem a cena) e só porque ele está olhando para um conjunto de pixels que remetem a uma arma de fogo, diz-se: "Ah, olhem para ele! Ele vai querer nos matar logo em seguida! Ele está sendo incitado à violência!".

Quer saber o que é ser incitado à violência?! Você já dirigiu alguma vez?! Pode apostar que você vai encontrar muito mais violência sobre 100 metros de asfalto do que em todo Wolfenstein 3D. E sabe o que também é uma piada? Permitirem bebidas alcoólicas e ficar enchendo o saco de gamers. Não se sabe que o álcool deixa você... diferente? Que ele ceifa em um par de minutos pelo mundo mais vidas do que foram tiradas em Collumbine?! Querem comparar o video game ao álcool em capacidade de distorcer mentes pelo que parece. Afinal, há tantos estudos "conclusívos" que dizem que os games causam e não causam violência. Como pode haver duas coisas conclusivas opostas?! Droga, se decidam!


Eu era um bebado... Que vivia drogado... Hoje estou curado...
Encontrei Shenmue! Encontrei Shenmue! Encontre Sh... Ah, é Yakuza, né?...


Agora, me diga: e o cigarro? Não se sabe que ele faz mal? Não se sabe que eu devo ter perdido alguns porcentos de capacidade pulmonar após ter ingerido aquela pizza envenenada com tabaco e um número maior de substências nocivas do que existem de cópias baratas do Tetris? Sim, é proibido para menores. Mas não é sabido que o cigarro não faz mal apenas a quem o consome, mas a todos os que cercam essa pessoa? Então, que diferença faz proibir só para menores, se eles também serão afetados? Alguém discorda que o cigarro causa mais dor, sofrimento e mortes do que os video games? - Tirando, claro, os jogos Contra, que causam mais sofimento ao gamer coitado o bastante para ter a ousadia de tentar fechá-los do que o cigarro aos fumantes - E ainda chega um cara que fazia filmes onde só o que se via eram tiros dizendo agora que os games violentos devem sofrer restrições? Convenhemos: não há coisas mais importantes a serem feitas, não? No Brasil, proibiram Bully. por acaso com isso a criminalidade nas escolas brasileiras diminuiu, senhores senadores? Hein? DIMINUIU!??!!?!?!!?!?? Eu preciso fazer um estudo sobre isso. Aliás, vou fazer meu TCC sobre isso. Aliás, vou me formar mestre sobre isso. Aliás, vou dedicar minha VIDA a isso. Ou pelo menos, deveria. E aí? Com Counter-Strike banido, as favelas se tornaram um ambiente mais seguro? HEIN?! RESPONDAM, SEUS FILHOS DA P***, C****** DE M****!!!! QUEM FOI O GÊNIO QUE PROPÔS ESSAS MEDIDAS, ME DIGA SE ISSO MUDOU ALGUMA COISA! ME DIGA SE O PROBLEMA É A VIOLÊNCIA NOS JOGOS OU SE É A FALTA DE CONDIÇÕES MÍNIMAS OFERECIDAS PELO ESTADO AOS MORADORES DE FAVELAS, O QUE LEVA O CRIME ORGANIZADO A SER UM MEIO DE VIDA! ME RESPONDAM SE A CULPA É DOS GAMES VIOLENTOS NOS EUA, OU SE É DE UM PAÍS FRAGMENTADO EM 50 ESTADOS DIFERENTES QUE SE DETESTAM E QUE SE NÃO TIVEREM UM INIMIGO EXTERNO EM COMUM SE VIRAM CONTRA ELES MESMOS, MOTIVO PELO QUAL NÃO PASSAM UMA DÉCADA DE SUAS HISTÓRIAS SEM SE ENVOLVEREM EM ALGUM TIPO DE GUERRA, INCENTIVANDO SEUS JOVENS A INVADIREM OUTROS PAÍSES E A MATAREM DE VERDADE POR INTERESSES POLÍTICOS, ECONÔMICOS E ETC. EM VEZ DE FICAREM EM CASA JOGANDO VIDEO GAMES! É CULPA DOS GAMES VIOLÊNTOS QUE PESSOAS INSTÁVEIS MATAM UMAS ÀS OUTRAS?! oS GAMES AJUDAM, OU QUEM AJUDA É A FALTA DE BARREIRAS EFETIVAS CONTRA A IMPORTAÇÃO DE ARMAS?! ALIÁS, SE VOCÊS QUEREM QUE AS PESSOAS PAREM DE SE MATAR TANTO QUANTO FAZEM PARECER, PAÍSES MEMBROS DA ONU, POR QUE VOCÊS PERMITEM A PRODUÇÃO DE ARMAS? ACABEM COM AS SUAS INDÚSTRIAS MULTIBILIONÁRIAS DE MORTES, ANTES DE VIREM APONTAR CULPADOS NA INDÚSTRIA DOS GAMES! NINGUÉM NO RAMO DO ENTRETENIMENTO SE RESPONSABILIZA PELAS MORTES QUE VOCÊS, SUAS POLÍTICAS DÚBIAS, SEU ÁLCOOL GOSTOSO MAS ASSASSINO E SEUS CIGARROS ESTAGADORES DE PIZZAS PERMITIRAM! GAMES NÃO MATAM: SUAS DROGAS LICENCIADAS E SUAS ARMAS SIM! SE NÃO QUEREM PARAR DE FUMAR, BEBER E ETC., ÓTIMO. MAS PAREM DE SE ENGANAREM, E AOS OUTROS, BOTANDO A CULPA NO QUE NÃO TEM NADA A VER!

E, para finalizar: se games fazem tão mal assim, por que vocês não provam isso, em vez de ficarem fazendo polêmicas como bonequinhas reclamando do preço exorbitante do salão de cabeleireiros? Quem sabe assim alguém os leve a sério. Digo, alguém sério que os leve a sério. Toda vez alguém deve reerguer esse assunto, não é? Ainda sem bases, tal como todos antes. Cansa, não? Será que eles não se cansam?

Falou.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

"A ordem é pra liberá geral"

Ah, porque se o Link diz que é um gato, então a gente acred... Epa! O Link "diz"?! Você, seu farsante! Você não é Link coisíssima nenhuma! Você não pode me enganar, Ganondorf!


Vem aí Iron Man 2?! Nossa, cara, eu sou fã de Iron Man! Tem previsão de lançamento? Não? Só disseram que vai sair ainda este ano? Ta certo. Vai ser 3D?! Sério?! Noss... hein? "Por que essa pergunta?", como assim? "Que nem o último"? Mas o último não foi 3D... Como assim, foi?! Eu assisti o bagulho... Ãh? Não é o de assistir? É o de... jogar? Aff... E você perde meu tempo pra me avisar isso? Hein? Claro que eu sou o Pepito! Foi você que ligou pra minha casa, você devia saber com quem está falando!... Ahãm, claro que eu gosto de games. E daí?... Ahãããm... E daí que Iron Man 2 é game? E eu sou obrigado a gostar de qualquer tralha que tentam me socar goela abaixo só porque apelidaram isso de game?... Como assim, "não é tralha"? Ah, você está falando de Iron Man? É, Iron Man é demais, mas game do Iron Man é tralha... Que? Ora, e daí que ainda nem saiu? Eu não preciso jogar o troço pra saber que vai ser ruim... Não, meu, eu num tô rogando praga. Só estou constatando a verdade. Jogo feito a partir de filme carrega sina de ser ruim. Foi assim com mais do que dá pra falar sem torrar seu precioso dinheirinho com contas de telefone no final do mês... Hein? Ah, você acha que eu estou só fugindo do assunto? Beleza, então. Presta atenção:

Você que curte HQs, Spider Man é um dos poucos que se salvam nos games. Claro, tem uns bons, tipo o Friend or Foe (eu acho bom, pelo menos. Há quem discorde) e o Ultimate Spider Man, mas lembre-se que esses não são games feitos a partir de filmes. Os jogos do Aranha feitos de filmes, o 1, o 2 e o 3 estão surpreendentemente acima da média de jogos a partir de filmes. Até divertem.
O mesmo com o Hulk, que, coitado, só tem um game baseado em filme que merece citação real: The Incredible Hulk (nome criativo...), pra PS2. Mas como o Hulk também só teve um filme nos tempos recentes, dá pra dizer que é o que se saiu melhor. O seu (e o meu) amado Homem de Ferro só saiu num game mixuruco, muito do vagabundo mesmo, onde o que mais divertia era voar e ouvir a música tema de Iron Man. Porque atirar fogo quadrado de polígonos toscos, socar inimigos que parecem fazer parte do cenário de tão imóveis e sem reação que são e destruir obstáculos porcos com dezenas de ataques, todos praticamente iguais, não está à altura nem sequer do mais baixo vôo rasante da lendária armadura vermelha e amarela.
Os jogos do Super-Man nem se fala, e os do Batman só são realmente divertidos na forma Lego. O jogo do filme até que é interessante, mas sem dificuldade e, após um tempo, repetitivo. Nem se compara o Cavaleiro das Sombras na tela do cinema e na da sua casa (é, eu quero dizer como game, não como esses DVDs piratas que tomam espaço de coisas mais úteis e legalizadas).
Dos games feitos de filme dos X-Men, pobres deles, só servem mesmo é para alimentar a ira de mano Wolver. Pelo amor de Deus, nem o Professor Xavier com o auxílio do Cérebro conseguiria apagar a minha ângústia para com todos os títulos a partir de filme da série. Wolverine's Revenge é uma até que grata mostra de que nem tudo está perdido - mas como não é uma adaptação dos cinemas...
Ah, e o Quarteto Fantástico, bem... ah... Ah, então, e o Motoqueiro Fantasma... bom, até que quebra o galho... se você não puder comprar God of War, isso é, porque o game do Phantom Rider só se salva nas lutas com os movimentos acrobáticos com a corrente, o que Kratos faz duas vezes melhor, com direito a outras armas (certo, ele não tem uma 12, e sim, não se pilota motos em GoW, mas as fases de motos bem que só serviam de filler... Enfim).


Kity e Protagonista Malandro Anos 70 Cujo Nome Eu Esqueci vieram provar que filmes podem sim virar jogos (bons)!
Mas, sabe... o GPS do carro quebrou, e... a suspensão precisava ser trocada, então... Fica pra próxima, cowboy.




Cansou de me ouvir aniquilando suas HQs amadas? Eu também cansei de ver as produtoras de games fazendo trabalhos porcos com as MINHAS HQs amadas. Vamos mudar de exemplos, então? Que tal as adaptações do filme Coraline... tá bom, vamos parar com exemplos desse naipe. Algo melhor, estilo Van Helsing. É, não deixa de ser um jogo legal, apesar de fazer um péssimo trabalho em explicar a história e se deter em combates que logo se tornam repetitivos.
Que tal meramente todos os filmes de Steven Spielberg? Alguém duvida da direção cinematográfica dele? E, no entanto, o game que tem a ver com ele que mais me divertiu foi Boom Blox, que nada tem a ver com qualquer filme (Steven que projetou o jogo). Que tal os Indiana Jones? Curiosamente, as versões Lego ficaram demais. Assim como Star Wars. No caso de Indiana, também de Spielberg, os outros jogos da série são, com muita boa vontade, passáveis se tanto.
Star Wars é um exemplo raro de filme que converteu bem para os games, mas volto a dizer: tirando as versões Lego, os games da série totalmente baseados nos 6 filmes (aqueles que levam o nome do filme no título) foram alguns dos mais fracos. Há, contudo, tantos games de Star Wars que mesmo assim não chega a ser muito um problema: Star Wars Phantom Menace para PC é até divertido, mas não cata Star wars Battle for Naboo, uma releitura do episódio, e Racer, baseado apenas na sequência de corrida do mesmo filme. Star Wars Clone Wars tem 300, mas nenhum que se aproxime de Knights of the Old Republic, lançado mais ou menos na mesma época.
E Star Wars Revenge of the Sith nem sonha em se equiparar a... bom... a quase nada, para dizermos a verdade. Isso para não apelar para as conversões de filmes mais antigas, que eram aquela beleza. Divertiam só porque qualquer dois player games em um Super Nintendo já era motivo de diversão. Sabe, parando para pensar, acho que a melhor conversão de toda a história de um filme para um game foi Goldeneye 007, para N64. A Rare era monstruosa naquela época, dava gosto de ver os games dela... Conker que o diga...


Como se pode ver, naquela época as explosões dos games imitavam com fotorealismo as vistas na série de TV. Por isso que ninguém reclamava dos gráficos.



Pra você ver: é estranho como livros costumam virar jogos melhores que filmes o fazem. Claro que se não fossem os filmes para dar aquela forcinha, Harry Potter, Eragon, Lord of the Rings etc. etc. etc. talvez não tivessem saído do papel. Mas não é lei: um dos games mais surpreendentes da atualidade foi concebido no século XIV.

Não, quê!? É sério! P****, para de rir e me ouve, ca****! Dante's Inferno! A Divina Comédia, escrita por Dante Alighieri, foi a base para esse game. P****, quantos games você vê andando pela rua com base em um poema medieval? Sim, tem lá os seus defeitos, e sim, eu nunca vi um game andando na rua, mas mesmo assim, Dante's Inferno merece muito mais destaque do que essas cópias baratas de super-heróis feitas às pressas só pra embarcar na onda de algum filme. Os Incríveis virou um game de chorar de ódio... bom, era para criancinhas, afinal...

Mas não só filmes têm dificuldade pra virar jogo. Animes também penam, e viram essas coisas "flindas" que são as toneladas de Bleach e os milhares de Naruto que infestam as prateleiras das logas como clones ninjas das sombras, ocultando os outros jogos. Não que os games do Naruto sejam riuins em si, só são clones um do outro, com pouco a acrescentar. A luta é estilosa, mas para quem já fechou o 1, o 2, o 3, o 247, o Shippuden Ultimate Avassalator Anihilator ShidoribuchintoHazenganmeikamehameha Ninja Eternal Absolute Infinite 17 e todos os outros, chega uma hora em que você diz "mas eu já fiz isso nos vinte e nove jogos anteriores! Por que eu preciso bater em você de novo, cara malvado que era bonzinho e segura estilosamente a katana enquanto dá choques que nem uma torradeira quebrada? Eu também Já vi a sua forma super-demônio-sem-noção, e já bati nela também. Vinte e nove vezes. Cadê as novidades? Ah, mais 1 personagem novo e duas roupas alternativas pro Charuto? Tô fora".


À esquerda, com a cara satisfeita: "Por favor, não me diga que eu fui transformada em um video gam... ah, meleca."
















À direita: Hell Girl pedindo a Deus que isso seja só mais uma brincadeira sem graça do Keitava de primeiro de abril. É, Enma: bem vinda ao inferno.



Eu fico imaginando o porquê disso. Cada vez mais ouvimos falar em jogos que mais parecem fílmes, e eles são bem-vistos. E jogos passados para filmes tendem a não ser tão traumáticos assim. Claro, muitos são uma piada do que se vê nos games, como os filmes de Mortal Kombat e de Street Fighter. Mas há alguns que... bem... Bom, há Resident Evil, cuja trilogia para o cinema foi... ah... certo, foi um caco. Tomb Raider foi apenas um pouco melhor. E esperamos sinceramente que Prince of Persia seja algo a que se lembrar (positivamente). Os filmes do Mario também eram piadas, os de Pokémon (sim, eles começaram como jogos) eram até que muito bons para quem era fã da série. Silent Hill foi outro filme bem produzido, mas que simplesmente não pode ser comparado em qualidade à série. E o que dizer de Final Fantasy VII Advent Children então (o outro, Spirit Within, a gente ignora com prazer)? Basicamente, os jogos que tentaram manter a essência do filme saíram umas tristezas, e vice-versa. Para não dizermos que todos os que tentaram inovar se deram bem, há uma série de exemplos. Mas e os que se contentaram em imitar a obra da outra mídia? Os filmes que tentaram imitar os games saíram "aceitáveis", para os padrões hollywoodianos atuais de explosões e etc. Mas e o contrário? Dificilmente seria verdade.




"-Cara, vem cá! Uns camaradas lá tão dizendo que você é aquele cara do Heavy Rain! É sério?! Meu, eu curti muito o teu jogo, cara! Parece filme, cara! Mas eu posso fazer o que eu quiser!
-Sério? Legal. Agora podemos ir logo pra parte em que você me mata?
-Por quê? Agora não era a parte onde você corta o dedo com a tesoura?
-Chega de spoilar o game, pô! E não, não é com... ah, me mata logo."


Eu tenho uma teoria para isso: games não existem apenas com gráficos, sons e história, como os filmes (claro, estamos sendo simplistas. Há muitos outros fatores que entram aqui). Há algo mais, e não estamos falando de jogabilidade - que é importante, mas também é óbvio (e, se serve de consolo, a jogabilidade de Iron Man para PS2 é até que boa, o que não salva o resto). Todo jogo deve pegar esses fatores e se perguntar "e daí? Como isto tudo vira um game?". É assim que o jogo do Hulk se tornou, na verdade, mais para um GTA controlando um bicho verde superpoderoso do que um desses jogos de fases feitos a partir de filmes, do estilo "passe pelos cenários do filme e faça exatamente as mesmas coisas que o filme, mesmo sem saber porque". Goldeneye também fez isso: em vez de usar a jogabilidade dos video games para promover a história do filme, ele usou a história de desculpa para se focar em um game profundo em termos de jogabilidade FPS, divertido e altamente variado.
O que não dá é se pegar uma história de filme e tentar transpô-la exatamente para os games, dizendo ao jogador "toma, este é o jogo do filme. É um jogo, onde você controla o personagem na tela, mas você tem que controlá-lo exatamente como aparece no filme, senão é game over". Droga, e cadê a liberdade para se tomar as próprias decisões, característica que, na verdade, define os video games? Pense: o que é um game, além de um filme onde você pode escolher como quer que ele seja apresentado? Tirar esse poder do jogador, com aquelas fases mal-feitas e lineares, objetivos escancaradamente definidos como um ponto vermelho ardendo em seu mapa e clamando por sua alma píxelada, afora toda a desestruturação da trama que as companhias de games fazem porque, afinal, a trama já está no filme, basta assistí-lo e você saberá do que se trata... Fazer isso é reverter os games ao seu estado de filmes. Com um senão: sem história, sem gráficos à altura do realismo cinematográfico e sem a graça de ver a ação se desenvolvendo em detalhes. A emenda fica pior que o soneto.

Por isso, se é para fazer um livro, deve-se seguir um dado formato, não para padronizar a obra, mas para que ela de fato tenha coerência. É como querer narrar algo num livro supondo que o leitor esteja vendo o que você diz. Tirar a liberdade do jogador é como tirar as descrições do rádio. É tirar as explosões dos filmes de hollywood, ou querer passar um filme sem imagem, apenas com som. Descaracteriza-se o meio. Não é só questão de jogabilidade, é questão de liberdade. Games não são "filmes para se controlar" apenas. São, por assim dizer, filmes para se decidir o que fazer. Nem que essa decisão seja sair destruindo tudo em vez de prosseguir na história. A decisão é sua, pelo menos. Nos games, deve-se fazer algo quando se tem vontade, não quando se é obrigado pelo roteiro do cineasta que não tem nada que ver com o assunto. É isso o que falta a grande parte das produtoras de games baseados em files entender.

Anote as minhas palavras: É absurdamente provável (só não digo que vai acontecer com certeza porque não sou vidente) que não será neste, nem no próximo jogo de filmes de super-heróis que as produtoras entenderão que, mais do que controlar os raios de sei-lá-o-que-azul da armadura do Iron Man, queremos controlar o homem, a lenda, o polígono por baixo dela. Queremos o poder de decisão sobre a personagem, não só sobre o dedo do gatilho dessa. Desculpem empresas de filme, mas se é pra fazer um jogo, e um decente, vai ter que liberar geral. E tenho dito.



Falou.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Hominem te Memento

Bons tempos aqueles do Freakazoid... Não, esta legenda não tem nada que ver com a foto, como você já percebeu...


O que se gosta de fazer não enjoa. Não me recordo de um provérbio que mencione exatamente isso, mas não é complicado achar exemplos dessa idéia na prática. É, aliás, quase uma ofensa ao intelecto tentar explicar isso a uma pessoa (como boa parte das formidáveis frases de fundo de garagem inventadas anteontem por dois bêbados que esses chineses malandros nos fazem engolir sob o rótulo de “provérbios milenares”). Não é óbvio o suficiente que se você gosta de algo, não se cansa de fazê-lo?

Era óbvio para mim até 2007. Veja: vídeo games acompanham minha estrada desde o começo. Não é algo que se possa colocar em um curriculum vitae, nem nada que fosse me garantir um posto de destaque na sociedade, mas é algo que nerds tendem a usar como trunfo para se gabar, por mais que estatisticamente 95% deles já tenham nascido perdendo uma vida para um magikoppa, e que isso não sirva para nada, já que as chances de ser ownado pelos 5% restantes não variam. Digo isto em parte por ser meu primeiro post neste blog, como uma apresentação implícita (dessas forçadas, como entre dois personagens amigos de infância que, no começo de um jogo, dizem um para o outro: “Ahw... bom dia, ZEQUINHA DA SILVA, MEU AMIGO DE INFÂNCIA E PESSOA EM QUEM POSSO CONFIAR MINHA VIDA. APESAR DE INTROVERTIDO, POSSUI UM CORAÇÃO DE OURO E UMA DISPOSIÇÃO PARA FAZER O BEM! Você ouviu rugidos vindos da perigosa floresta que tem nos fundos de casa, infestada de abelhas gigantes que misteriosamente nunca saem de lá para atacar nossa pobre vila de 3 casas e um shop?) Mas, principalmente, faço esta apresentação nada breve para iniciar meu tópico do dia (sim, ainda está no começo. Vai apertando o X pra chegar logo nos finalmentes se quiser).

2007. 17 anos de vídeo game (bom... teoricamente eu nem sabia direito o que era isso antes dos 2 anos, mas já coloco 17 anos para enfatizar o tempo). Ocorreu-me algo curioso quando apanhei Zelda Twilight Princess para jogar: não fiquei particularmente atraído. Apesar das críticas (que nem críticas eram, mas propagandas) que o jogo recebera. Apesar das notas 10 nas revistas especializadas em nintendo, com direito a troféus de platina feitos na realidade de tinta azul e branca. Apesar do contracenso em se haver um Zelda que não fosse simplesmente... Zelda. Antes, já vinham alguns jogos respeitáveis, como Mario Party e Dragon Quest, me incomodando. Não que fossem ruins (seria um sacrilégio pensar assim). Mas, de algum modo, não eram como antes. Ou, antes, eram sim. Eram exatamente como antes. Então, por que já não me impactavam?


Com o novo Juicer da Philips Walita você mói carnes, rala queijos, fatia batatas, tritura verduras e... sobe em paredes?!


Essa dúvida começou a me incomodar desde tal época. Com Super Mario Galaxy, tive a certeza: o problema era comigo. Se me diverti, decerto que sim. Mas nem de perto como com SM World, ou SM64, ou SM Sunshine. SMG era um jogo indiscutivelmente bom, mas não do modo como eu esperava. Durante todos esses tempos, oscilei entre culpar à baixa dificuldade dos jogos e a algum não bem explicável estado de recaída nérdica. Ao risco de tornar isto uma confissão, nunca deixei de me interessar por games. A ponto de sacrificar minha visão por dias diante das paisagens indiscritíveis de Okami, ou xingando hunts em Final Fantasy XII, que, mesmo com a party no nível 99 e equipamentos excelentes, arruinavam meus guerreiros másculos e viris + Vaan. Como todo nerd há de compreender. Ainda assim, me sentia mal por não ser capaz de pular em um pé só feito um flamingo dopado frente jogos como Resident Evil 5, Gran Turismo 4, Call of Duty Modern Warfare e etc. tal como quando jogava suas versões anteriores de Playstation e afins. Eu, que nunca me apeguei particularmente a saudosismos, que pulei de alegria quando vi os primeiros gráficos de Zelda Wind Waker enquanto muitos dobravam os narizes, e que nunca tive pretensões de fechar Zero Wing em japonês só porque a versão em inglês é um jogo de comédia histórico (e só o fiz porque me foi dada a chance por uma namorada minha chamada internet).

Preto, Branco e Vermelho

Cortando uma longa história (e um post que já está igualmente longo), crescia meu medo de estarem concretizando-se previsões hereges, de que eu estaria “amadurecendo e deixando coisas de criança de lado”, dessas ouvidas por todos os bravos que dedicam uma vida (ou duas, ou dez, ou quantas forem precisas) a salvar princesas e repelir alienígenas. Algo como uma crise da meia-idade, voltada justo a algo que me é tão caro: jogar vídeo game. Talvez provocada por um cansaço de estar fazendo aquilo a tanto tempo.

Essa foi precisamente a resposta que eu encontrei. Eu estava fazendo a mesma coisa havia tempo demais. Mas a “coisa” a que me refiro não era jogar vídeo game. Era salvar a princesa. Confuso? Eu explico. Não eram todos os jogos que me davam ânsia. Para ser mais exato, games como Baten Kaitos, Time Hollow e outros onde o que mais me chamava a atenção era a história criativa nunca saíram da minha lista de favoritos. Tampouco games onde o foco era o grau de inovação, em plot ou em qualquer outro detalhe, como No More Heroes, Little Big Planet, Shadow of the Colossus, Bioshock, Heavy Rain, Siren, God of War, Mirror's Edge, Beyond Good and Evil e tantos mais, para citar apenas uns poucos exemplos recentes (e uns nem tão recentes assim...). Jogos multiplayer também costumavam não me cansar rápido, já que sempre algo novo ocorria. Eram apenas alguns jogos que geravam aquela sensação de fastio, por vezes até mesmo de estar perdendo tempo. Jogos muito bons, por sinal, e quase sempre renomados.

Jade é um exemplo de que jornalistas podem dar certo na carreira em que escolheram: cobrindo invasões de aliens e assaltos de dragões, ficou renomada no mercado. Pena que seu sonho era ser jornalista esportivo...


Pois um dia, estava eu pensando em jornais. Sim, um desses pensamentos aleatórios, absolutamente sem conexão com vídeo games. (a razão: estudo jornalismo). Estava pensando por que o modelo dos jornais mais antigos e conceituados me apetecia tão pouco. Não adiantava a Folha mudar sua diagramação, o Estadão aparecer com cavalinhos sob o nome da gazeta e vir dizendo que foi a maior revolução desde que “Graham Bell inventou a imprensa” (sim, eu já tive de escutar isso uma vez de uma fonte que prefiro deixar no anonimato). A impressão era a mesma de estar lendo um exemplar do The New York Times da época dos gangsters. Algo me incomodava com aquilo que meus professores chamam de “identidade do jornal”. Eu entendo que se de um dia para o outro o logo do Le Monde aparecesse de pé na direita da capa e com uma foto de página cheia holográfica que nem as que vinham nos Tazos especiais dos Looney Tunes nos idos de sei lá que ano, isso assustaria seu leitor. Mas eu me perguntava até que ponto isso os afugentaria e arremessaria o veículo no caos como boa parte dos jornalistas da linha dura e parte dos da sorbonne bradam aos quatro ventos. Quer dizer, jornais impressos já não estão perdendo leitores ano após ano? Isso não prova que há algo errado? Colocar um cavalinho debaixo do logo do Estadão e melhorar discretamente o feng shui da disposição das notícias na página vai fazer o leitor olhar para o jornal e dizer “Ah, espere aí! Agora tem um cavalinho aí! Ah, isso faz toda a diferença. Vou levar dois, um pra mim além do pro cachorro como é de praxe”. Não, sério? Se as pessoas já enjoaram do modo como os jornais são apresentados mais ou menos do mesmo modo desde que eram trazidos nas caravelas para a corte portuguesa no Brasil, preto no branco e vermelho para os destaques, talvez não seja o caso de essas modificações se preocuparem um pouco menos em “manter a identidade” do jornal e um pouco mais em reobter os leitores que o deixaram? Revistas novas de games também vinham desbancando algumas outras, mais velhas e mais conhecidas. Isso sim era o caos.

Preto e branco, dita a mistura de cores que melhor evoca o passado. Filmes em preto e branco, páginas de jornais em preto e branco. Um dia, contudo, algo me atingiu como um pneu me imobilizando, seguido de uma adaga, uma motosserra, um poste me empalando, um segundo corpo empalado no poste e um trem coberto de espinhos em alta velocidade. Tudo isso em preto e branco. E vermelho.


E há quem dizia que a ROTA fazia um bom trabalho limpando as ruas da cidade...


Mad World me fez recordar aquele pensamento sobre jornais renomados. Mais que isso, me fez recordar como era doce ganhar pontos às custas da vida de inimigos. Um jogo em preto e branco foi a coisa mais revolucionária que eu me lembrava em termos gráficos desde Okami (sim, há muitos jogos bonitos nesse ínterim, mas nada chocante como um jogo em PB apenas com sangue em vermelho). E me fez recordar a questão de meu aparente enjoo com games como Guitar Hero um ziblhão (que já está ultrapassado, porque já foram lançados 13 Guitar Heroes novos desde ontem), Zelda Twilight Princess (que apesar de possuir a alteração como lobo, sem dúvida o ponto alto do jogo e comparável em diversão a pilotar o barco de Wind Waker pela primeira vez, consegue imitar tão bem a sensação de se jogar Ocarina of Time no resto do tempo que se torna um grande Déjà Vu), Super Mario Galaxy (fantástico nos momentos em que a gravidade o faz andar de ponta cabeça em planetóides, mas nem tão inspirado nas fases mais tradicionais), Halo 3 (“cara, eu já não tinha te matado no jogo anterior. E no antes dele também? Ah, bem, aqui vai mais plasma derretido então...”), Tony Hawk Qualquer Um Depois de American Wasteland (Ollie, kickflip, manual, The 900, fechou), etc.

Como eu disse, nenhum jogo ruim, muito pelo contrário. Difíceis de serem criticados, exceto por um quesito: inovação. Convenhamos que brincar com a gravidade e virar lobo são coisas animais, que valem o jogo por si sós. Mas a sensação de que você já viu todo o resto começa a perturbar. Do mesmo modo que o Estadão está muito, mas muito longe de ser um jornal ruim. Não se pode criticar o conteúdo daquilo que já se tem tanta tradição, tanto do jornal quanto dos jogos citados, para merecer tantas continuações. Se Final Fantasy tem 13 jogos apenas na série principal, há algum motivo. Porque as pessoas gostam. O mesmo com Mario e Zelda, Guitar Hero e todos os supracitados. Eles têm tradição.

Mas Mad World me fez repensar sobre essa tradição. Twilight Princess me pareceu um largo passo adiante (com o lobo) e uma série de passos atrás do que havia sido construído com Wind Waker. Na esperança de remeter a Ocarina of Time, a Nintendo manteve os clichês que todo fã de Zelda espera ver na série, dos personagens à trama e à trilha sonora. Mas, afora o Link-Lobo e Twilight, muito citada mas nem tanto visitada quanto se gostaria, onde estiveram as surpresas? Pescaria, cavalo, Ganondorf, arco e flecha, Templo da Água e do Fogo... Esses elementos caracterizam Zelda como a diagramação caracteriza o Estado de S. Paulo. Mas mantê-los todos é mesmo necessário? Em Wind Waker não havia Epona, nem fadinha, nem “gráficos de Zelda”... droga, quase nem havia Hyrule! E era um Zelda, e dos bons! Majora’s Mask também não tinha Hyrule, nem o sentido habitual de “posso ficar vagabundeando a esmo pelo tempo que eu quiser”, nem Ganondorf, nem Master Sword, nem Zelda (bom... até tinha... mas... ah...), com Link-Zora e Link-Goron e Link-Arbusto-Rodopiante. E era um tremendo de um Zelda. O que define a série talvez seja o modo como consegue ligar por meio de um personagem em comum tantas novidades. É o mesmo com tudo o que é tradicional: deve evoluir, se modificar constantemente, para não se tornar “mais do mesmo” e deixar de existir. Verdade seja dita, Twilight Princess chega a ser bem revolucionário em alguns pontos. Mas ao lado de tantos jogos absurdamente inventivos, na época em que o Wii estava em seu início, acabou se parecendo mais “padrão” do que deveria. O mesmo para todas as seqüências, que precisam zelar pelo estilo da série sem se repetirem (coisa que eventualmente acaba acontecendo).

Isso, reclama mesmo da vertigem que você sentia jogando Ico. Vai, reclama!


Qual a solução disso? Parar de produzir o Estadão e abandonar Mario e Zelda? Não, definitivamente. Muitos hão de discordar, mas para mim a solução é arriscar mais. Sim, claro que, por exemplo, Final Fantasy XII foi um passo adiante na série em vários aspectos, mas tinha potencial para ter ido muito mais além. Como, digamos, tendo colocado Basch, o capitão maduro, no lugar principal da história, como foi até um terço da produção do jogo, em vez de Vaan, órfão de coletinho duvidoso e personalidade forte como um Moggle em estado vegetativo coberto de debuffs. A opção por não se desvincular demais do protótipo de Main Char rostinho bonito da série, nesse caso, não chegou a causar um problema, porque o sistema de batalhas diferente, o mundo e outros aspectos compensaram os tradicionalismos da Square Enix com relação à trama. Mas há desgastes que já se tornam aparentes nas fórmulas de séries mais clássicas e mesmo de gêneros, alguns enveredando por tantos lugares-comuns e games genéricos que causam ânsia de vômito (*cough* 95% dos FPS *cough*).

Não, isso não se trata de “síndrome do Veterano”, que já está cansado de tanto ver guerra. É mais como uma constatação: nada é eterno (outro “provérbio milenar chinês” estrategicamente posicionado). Quem não oferece novidades, termina. É o que se vê com o desespero da Sony em copiar o Wii-mote (mas conquanto gere jogos divertidos, não reclamo), e com o Project Natal da Microsoft. Podemos – e devemos – esperar uma constante renovação das séries, para que possam oferecer sempre novidades de fazer frente com os criativos jogos novos que surgem, e que também viram franquias, e que também devem procurar evoluir para enfrentar a nova concorrência, e assim por diante. Que Hyrule entre agora na Era Industrial (como havia rumores anteriores à Twilight Princess) ou na espacial, e que Ivalice seja engolida pela Twilight, e que Mad World 2 encontre alguma forma de manter seu brilho monocolor. Mais do que tradições, gamers (e não “istas”, de nintendistas, sonistas, microsofistas e puristas. Digo gamers de verdade, que gostem de games, não de marcas) buscam novas formas de se surpreender. E a quebra de paradigmas é uma surpresa por si só. Exemplos de franquias que um dia foram consideradas eternas e que hoje estão capengando, como Sonic e Mortal Kombat, é um exemplo de que as areias do tempo não poupa os que ficam parados. E falando em areias do tempo, Prince of Pérsia é um raro exemplo de uma série que, nos últimos tempos, buscou se reconstruir. E ninguém reclamou. Pelo contrário. Até que ponto cada série pode ir sem perder sua “identidade” é discutível, e que tais mudanças devem ser feitas com competência, ninguém duvida – Sonic muito menos. Clássicos são sempre clássicos, mas águas passadas não movem moinhos (hoje eu estou mais “provérbico” que de costume...).

E se há novas séries dando novas experiências aos jogadores, não adianta as velhas ficarem insistindo no que já é certo e seguro. As empresas de games teriam bastante a aprender com o declínio dos jornais impressos. Uma série que perde sua identidade normalmente tem outras chances para reconquistá-la (Sonic, novamente ele, tem dez chances ao ano e desperdiça todas, mas ninguém deixa de acreditar que um dia ele há de se emendar. Bem... quase ninguém). O único erro imperdoável nos games é o da insistência no que não dá resultados. Não poucas séries, de diferentes gêneros, perderam muito espaço por bater nas mesmas teclas gastas, de Driver a Kirby, e outras começam a dar sinais de desgaste de fórmula, como Need for Speed e Pokémon. Sem querer ser chato, mas não há fórmula que resista para sempre a tantas continuações tão parecidas. A Nintendo já percebeu isso, e está lançando variações, de Pokémon Rancher às de mystery dungeon e além. O que é um bom sinal, pois mostra que a companhia está atenta. Infelizmente, o adjetivo "bom" não pode ser aplicado com tanta facilidade aos produtos alternativos (vai, para sermos justos: para o público-alvo dos mystery dungeon de Pokémon, o jogo chega a ser bem divertido, apesar de repetitivo. Mas quem disse que a série Pokémon não é repetitiva, capture uns bichos, ganhe uma insígnia, bata nuns caras, capture mais bichos... e gostamos dela do mesmo jeito). Se isso vai, a longo prazo, conseguir manter a franquia, porém, só pagando pra ver.

1,2,3...POOF. Seu rato cabeçudo roxo morreu por falta de atendimento na fila do SUS.

Sabe de uma coisa? Essa resposta me fez sentir bem. Perceber que não é um jogo que tingirá uma série para sempre (contanto que os erros não se repitam, óbvio). Quisera que os desenvolvedores percebessem isso também, e arriscassem um tanto mais em suas obras. Nem tanto para ver o circo pegar fogo, mas porque de ports e genéricos lançados ano após ano a indústria está cheia. É uma grata surpresa encontrar um jogo de uma franquia que você pensa já saber o que esperar lhe fazendo pensar "nossa, eu não previ isso" ao ligar o console. Não descaracterizando o jogo, isso poderia ocorrer com mais frequência. Este é o desafio das franquias a cada novo game, e um cujos resultados até agora são, ao meu ver, ainda são tímidos na maior parte do tempo. Se há o medo de esculhambar a imagem da série principal, faça os testes em outras paralelas de "menor atenção", como vem fazendo Mega Man com suas sequências: Mega Man 9 e 10.

Ah, sobre o título deste post. Para quem ficou curioso, hominem te memento é uma expressão em (adivinhe!) latim, que significa “lembre-se que você é mortal” (ao pé da letra, significa “lembre-se que é humano”, mas a relação é óbvia). Nada que a Wikipedia já não possa ter lhe dito antes, mas interessante mesmo assim. E remete ao que eu disse sobre séries que já foram tidas por eternas irem envelhecendo e, eventualmente, perdendo espaço. Morrendo. Como eu (acho que) disse (em algum lugar por aí no texto. CTRL+F e depois me diga onde está): nada é eterno. Só de pensar nisso... Nintendo, p***a, me deixa controlar logo o Ganondorf em um dos jogos principais da franquia antes que... não, nada. Antes que nada. Nada...

Falou.

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